O que é o CIQ e por que ele importa
No CIQ, o laboratório roda amostras de controle com valor conhecido, junto com as amostras dos pacientes. Se o controle sai fora do esperado, há sinal de que algo mudou no aparelho, no reagente ou no processo.
- Controle: material com valor esperado, comprado com bula ou preparado.
- Nível: a maioria dos exames usa dois ou três níveis (por exemplo, normal e patológico).
- Lote: cada lote tem a sua faixa e a sua validade. Trocou de lote, recomeça a média.
- Corrida: cada vez que o controle é processado.
O CIQ não substitui o controle externo (ensaio de proficiência), em que o laboratório compara seus resultados com outros. Os dois andam juntos.
Na prática, o CIQ responde a uma pergunta diária: posso confiar nos resultados que este aparelho vai gerar hoje? Se a resposta for não, os laudos dos pacientes esperam até o problema ser resolvido.
Organize os controles por aparelho, nível e lote
Um CIQ bem cadastrado evita a maior parte das confusões. Para cada controle, registre:
- Aparelho em que roda (ou se é manual, como nos testes rápidos).
- Nome, nível, lote, validade e data de abertura.
- Quantos dias o frasco dura depois de aberto.
- Parâmetros medidos, com média e desvio padrão (DP).
- Como o aparelho identifica a amostra de controle, para que o resultado não seja confundido com paciente.
No começo de um lote, é comum usar a faixa da bula. Depois de um número suficiente de corridas, o laboratório calcula a própria média e o próprio DP, que refletem melhor o seu aparelho.
Gráfico de Levey-Jennings na prática
O gráfico de Levey-Jennings mostra cada corrida como um ponto, com linhas na média e em 1, 2 e 3 desvios padrão. Olhando o gráfico do mês, a equipe percebe:
- Erro aleatório: pontos espalhados, um ou outro muito longe da média.
- Erro sistemático: vários pontos seguidos do mesmo lado da média, ou uma subida gradual.
- Mudança de lote ou de reagente: salto de patamar numa data específica.
Também vale acompanhar o coeficiente de variação (CV) do mês e comparar com o CV aceito para aquele exame.
Regras de Westgard: quando avisar e quando travar
As regras de Westgard ajudam a decidir se a corrida pode ser aceita. As mais usadas são:
- 1-2s: um controle passou de 2 DP. Costuma ser só alerta para olhar com atenção.
- 1-3s: um controle passou de 3 DP. Corrida reprovada.
- 2-2s: dois controles seguidos passaram de 2 DP do mesmo lado. Sinal de erro sistemático.
- R-4s: a diferença entre dois níveis passou de 4 DP. Sinal de erro aleatório.
- 4-1s: quatro controles seguidos passaram de 1 DP do mesmo lado.
- 10x: dez controles seguidos do mesmo lado da média.
Cada laboratório decide, com o responsável técnico, quais regras só avisam e quais reprovam. O ponto principal: com corrida reprovada e não resolvida, os resultados daquele aparelho não deveriam ser liberados.
Não conformidade: registrar, tratar e encerrar
Controle reprovado, amostra perdida, laudo retificado ou reclamação de paciente são não conformidades. Tratar bem cada uma segue um roteiro:
- Registrar: o que aconteceu, quando, em qual unidade e em qual fase (pré-analítica, analítica, pós-analítica ou administrativa).
- Indicar responsável e prazo.
- Ação imediata: o que foi feito para conter o problema.
- Causa e ação corretiva: por que aconteceu e o que muda para não repetir.
- Verificar a eficácia depois de um tempo e só então encerrar.
Acompanhe por mês quantas foram abertas, quantas encerraram no prazo e quantas ações foram eficazes.
Rotina diária do CIQ, passo a passo
O CIQ funciona quando vira hábito. Um roteiro diário para cada aparelho:
- Antes dos pacientes: processe os controles de todos os níveis do dia.
- Avalie cada parâmetro pelas regras combinadas. Corrida aprovada libera a rotina daquele aparelho.
- Corrida com alerta: olhe o gráfico e as corridas anteriores antes de seguir.
- Corrida reprovada: pare a liberação dos resultados daquele aparelho, investigue a causa (reagente, calibração, controle vencido, manutenção) e registre a ação corretiva.
- Repita o controle depois da correção. Só com uma nova corrida aprovada a rotina volta.
- Revise os resultados de pacientes liberados desde a última corrida aprovada, se a causa indicar risco.
No fim do mês, o responsável técnico analisa o relatório de cada aparelho: quantas corridas, quantas reprovadas, se houve dia com paciente e sem controle, e quais parâmetros ficaram com CV acima do aceito. Essa análise, escrita e aprovada, é o que mostra que o laboratório acompanha a própria qualidade.
Dois cuidados práticos: confira a validade dos controles depois de abertos, porque controle vencido gera reprovação falsa, e registre a troca de lote de reagente, porque ela explica muitos saltos no gráfico.
Como o SENSIS ajuda
No SENSIS, o CIQ e as não conformidades ficam dentro do sistema do laboratório, sem planilha.
- Controles por aparelho, nível e lote, com validade e dias depois de aberto. A corrida pode vir direto do aparelho ou ser digitada nos controles manuais.
- Média do laboratório calculada a partir das corridas e aprovada pelo responsável.
- Regras de Westgard configuráveis: cada regra pode ficar desligada, só avisar ou reprovar. A liberação pode ser travada enquanto houver corrida reprovada sem ação corretiva.
- Gráfico de Levey-Jennings do mês e relatório mensal por aparelho.
- Não conformidades com responsável, prazo, causa, ação corretiva e verificação de eficácia.
Quando uma corrida é reprovada, a equipe registra a causa provável e o que foi feito, e pode abrir uma não conformidade na Qualidade direto dali. A corrida só fica resolvida com a ação registrada e uma nova corrida aprovada do mesmo controle. A Qualidade mostra indicadores do período, como não conformidades abertas, encerradas no prazo e ações eficazes.
Veja em Estoque e qualidade.
Dúvidas frequentes
O que é CIQ no laboratório?
É o controle interno da qualidade: o laboratório roda amostras de controle com valor conhecido para conferir se o aparelho está medindo certo antes de liberar os resultados.
Quais são as regras de Westgard?
São regras para avaliar o controle, como 1-2s, 1-3s, 2-2s, R-4s, 4-1s e 10x. Algumas servem de alerta e outras reprovam a corrida.
Como tratar uma não conformidade no laboratório?
Registre o fato, indique responsável e prazo, faça a ação imediata, descubra a causa, defina a ação corretiva e verifique a eficácia antes de encerrar.