Escreva as regras de repasse
A maior parte dos conflitos nasce de regra combinada só de boca. Para cada médico, deixe registrado:
- Tipo de repasse: percentual sobre o valor ou valor fixo por procedimento.
- Base de cálculo: valor cobrado, valor recebido ou tabela do convênio.
- Particular e convênio: se a regra muda conforme a forma de pagamento.
- Retornos e cortesias: se geram repasse ou não.
- Unidade: se o médico atende em mais de uma unidade, se a regra é a mesma.
- Data de pagamento e período de apuração.
Exemplo apenas ilustrativo: consulta particular de R$ 200 com repasse de 50% gera R$ 100 ao médico. Na mesma consulta por convênio, a base pode ser o valor da tabela do convênio.
Guarde a regra assinada ou aceita pelo médico, com data. Quando a regra muda, registre a nova versão e a data em que passou a valer. Assim, se surgir dúvida sobre um mês antigo, dá para saber qual regra estava em vigor.
Passo a passo do fechamento mensal
- Feche o período: defina a data de corte e não altere atendimentos depois dela sem registro.
- Levante a produção: todos os atendimentos de cada médico no período, por unidade.
- Aplique as regras: percentual ou valor fixo de cada procedimento.
- Separe o que precisa de conferência: atendimentos sem regra cadastrada, cortesias e retornos.
- Confira os casos estranhos: repasse maior que o valor faturado, por exemplo.
- Gere o extrato e envie ao médico antes do pagamento.
- Pague e registre no financeiro.
Os alertas que evitam prejuízo
Antes de pagar, olhe com atenção alguns sinais:
- Repasse maior que o faturado: a clínica está pagando mais do que recebeu naquele item.
- Atendimento sem regra: procedimento novo ou médico novo sem regra cadastrada.
- Cortesia com repasse: confira se isso foi combinado.
- Quanto fica para a clínica: acompanhe o percentual que sobra por unidade, mês a mês.
Esses alertas não servem para cortar o médico, e sim para corrigir o cadastro e evitar surpresa dos dois lados.
Defina quem resolve cada tipo de alerta. Atendimento sem regra costuma ser assunto do cadastro. Repasse maior que o faturado pode ser erro de preço ou de convênio. Cortesia com repasse precisa da confirmação de quem autorizou a cortesia. Com responsáveis claros, o fechamento não trava esperando uma pessoa só.
Um extrato que o médico entende
O médico confia no repasse quando consegue conferir. Um bom extrato traz:
- Período e unidade.
- Cada atendimento com data, número do atendimento, procedimento e convênio.
- O valor do repasse de cada linha e o total.
- A marca da clínica e um texto simples explicando a regra.
Mande o extrato antes do pagamento e dê um prazo para o médico apontar diferenças. Assim a dúvida é resolvida antes, e não depois que o dinheiro caiu.
Como evitar conflito com os médicos
- Transparência: o médico deve ter acesso fácil aos extratos que já recebeu.
- Um canal só para dúvidas: uma pessoa responsável pelo repasse.
- Correção registrada: se houve erro, corrija no mês seguinte com a linha explicada.
- Revisão das regras: quando muda a tabela ou o convênio, avise o médico antes.
- Compare mês a mês: uma queda brusca no repasse merece explicação antes da reclamação.
Repasse claro é parte da retenção de médicos. O bom profissional fica onde é tratado com previsibilidade.
Erros comuns no repasse e como evitar
Os mesmos erros aparecem em muitas clínicas. Vale conferir se algum deles acontece na sua:
- Regra desatualizada: o convênio mudou a tabela e a regra de repasse continuou a antiga.
- Procedimento novo sem regra: o médico começou a fazer um exame novo e ninguém cadastrou o repasse dele.
- Atendimento cancelado que entrou no cálculo, ou atendimento feito que ficou de fora.
- Unidade trocada: o médico atende em duas unidades e a produção foi somada na errada.
- Planilha manual: fórmula quebrada, linha copiada duas vezes ou filtro esquecido.
- Extrato sem detalhe: só o total, sem as linhas que permitem conferir.
Para reduzir esses erros, tire o cálculo da planilha e deixe o sistema aplicar as regras a partir dos atendimentos registrados. A conferência humana continua importante, mas passa a olhar só as exceções.
Também ajuda separar o repasse dos médicos dos repasses a parceiros, como aluguel de sala ou comissão de unidade parceira. Misturar tudo no mesmo cálculo dificulta a conferência e a explicação.
Por fim, acompanhe o percentual que fica para a clínica em cada unidade ao longo dos meses. Se esse percentual cai sem motivo claro, pode haver regra errada, desconto alto ou mudança de convênio que merece atenção.
Como o SENSIS ajuda
No SENSIS, o repasse é calculado e conferido por unidade, e o extrato chega ao médico.
- Conferência do mês: produção e repasse de cada médico, quanto fica para a clínica e o que precisa de conferência, como atendimento sem regra de repasse.
- Alertas de repasse maior que o faturado e de cortesia com repasse.
- Extrato em PDF por unidade, com a marca da empresa, enviado por e-mail a cada médico. O médico também vê no painel dele os extratos que já recebeu.
- Comparativo mês a mês do percentual que fica para a empresa em cada unidade.
Na conferência, cada linha tem o botão para ver as OS que compõem o valor, sem expor o nome do paciente, e dá para baixar em planilha. O texto do e-mail que acompanha o extrato pode ser editado pela gestão. Os repasses a parceiros, como aluguel e comissões de unidades parceiras, ficam numa tela separada, com relatórios próprios em PDF e planilha.
Veja em Financeiro.
Dúvidas frequentes
Como calcular o repasse médico?
Some a produção do médico no período, aplique a regra combinada de cada procedimento (percentual ou valor fixo) e confira os casos sem regra antes de pagar.
O que deve ter no extrato de repasse médico?
Período, unidade, cada atendimento com data, procedimento e convênio, o valor do repasse de cada linha e o total.
Retorno de consulta gera repasse?
Depende do que foi combinado com o médico. O importante é que a regra esteja escrita e seja aplicada sempre do mesmo jeito.